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Remédio brasileiro vira referência contra a malária

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Uma combinação de medicamentos desenvolvida no Brasil para o combate à malária recebeu a pré-qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) como terapia recomendada para uso em todo o mundo. Com a avaliação, a dose fixa combinada (DFC) de artesunato e mefloquina (ASMQ) pode ser usada em grandes ações promovidas por entidades como a Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão deve causar impacto principalmente na Ásia, onde o tratamento passa por aprovação desde o ano passado.

Os dois remédios são usados há 20 anos, mas foi apenas em 2001 que a OMS sugeriu que eles fossem combinados em um único comprimido. Juntos, têm um efeito mais forte e combatem a resistência do parasita Plasmodium, um dos maiores obstáculos no tratamento da malária. A Drugs for Neglected Diseases Initiative (DNDi) procurou, à época, o Instituto de Tecnologia em Fármacos Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para desenvolver a fórmula.

O comprimido levou cinco anos para ser desenvolvido e foi registrado no País em 2008. A dose fixa também foi testada em um estudo do Ministério da Saúde realizado com 23,8 mil pacientes, quando foi aprovada. "A combinação promove a cura radical da doença, eliminando todos os parasitas do organismo. O artesunato tem uma ação gametocida, elimina o parasita no momento em que é infeccioso para o mosquito, bloqueando a transmissão da doença na comunidade", ensina André Daher, coordenador de pesquisa clínica de Farmanguinhos.

A combinação, de acordo com Daher, tem uma taxa de sucesso de 97%, causa poucos efeitos colaterais e não exige alimentação especial, como ocorre com outros medicamentos, além de ter menos casos de recaída. Para o coordenador do instituto, todas essas vantagens podem tornar a receita brasileira um modelo mundial inspirado na experiência do sudoeste asiático, uma das regiões mais afetadas pela doença. "O tratamento vigente apresentava falhas terapêuticas em níveis inaceitáveis. Essa formulação pode resolver o problema, pois terapias combinadas reduzem muito a chance de aparecimento de resistência", avalia Daher.

Dose única

A terapia consiste em uma única dose diária de um ou dois tabletes da mistura por apenas três dias. Pode ser recomendada para crianças a partir de 6 meses de idade e é dividida em quatro fórmulas, de acordo com a idade do paciente. O uso combinado das substâncias reforça o efeito do tratamento e evita erros de dosagem na administração.

"A pré-qualificação da OMS impactará diretamente os pacientes na Ásia. A lista de produtos aprovados é usada principalmente por agências das Nações Unidas como um guia. Ela também se tornou uma ferramenta vital para qualquer agência ou organização envolvida com aquisições em massa de medicamentos em níveis nacional ou internacional", avalia Eric Stobbaerts, diretor da DNDi América Latina. A avaliação deve tornar mais fácil o registro do medicamento em diversos países, que poderão incluí-lo em programas nacionais de tratamento.

O medicamento já foi usado por mais de 12 mil pacientes na Índia, para onde parte da produção do ASMQ foi delegada. "Este foi um princípio da formação do consórcio internacional que desenvolveu esse medicamento: garantir acesso a todas as populações carentes de medicamentos de qualidade e que pudesse garantir melhor qualidade de vida ao paciente portador das chamadas doenças negligenciadas", esclarece Jorge Mendonça, vice-diretor de Gestão Institucional de Farmanguinhos/ Fiocruz. O medicamento continua sendo fabricado no Brasil. Mas inclusão da Índia na linha de produção tem como objetivo facilitar a distribuição do remédio.

Neste ano, a Malásia também registrou o uso da fórmula combinada e outros países como Tailândia e Myanmar já incorporaram o seu uso como primeira opção de tratamento. "O anúncio da pré-qualificação é o reconhecimento de que o FDC ASMQ cumpre os altos padrões de qualidade da OMS. Pretendemos tornar esse tratamento amplamente disponível por toda a Ásia", comentou Jaideep Gogtay, diretor médico da Cipla, empresa que fabrica o medicamento na Índia. Estima-se que 3,3 bilhões de pessoas vivam sob o risco de infecção pelo parasita, quase metade delas somente nos continentes africano e asiático. O uso da fórmula na África está sob estudo.

Esta é a quinta e mais eficiente combinação com base na artemisinina que recebe o selo de aprovação da OMS para o tratamento da malária causada pelo Plasmodium falciparum, o maior agente causador da doença. Estão em andamento em Rondônia estudos clínicos para o uso do ASMQ em malária causada também pelo Plamodium vivax, o que pode resultar em um tratamento único para a doença no Brasil.

Aprovação

O Programa de pré-qualificação de medicamentos (PQP, na sigla em inglês) é o único do tipo no mundo. Originalmente criado com foco nos remédios para o vírus HIV, para tuberculose e para malária, o programa também avalia tratamentos relacionados à saúde reprodutiva e à nutrição. A equipe da Organização Mundial da Saúde une-se a autoridades de diversos países para estudar relatórios e envia profissionais para verificar de perto a fabricação e o uso do fármaco. Mais de 240 tratamentos que passaram pelo PQP já foram aprovados e servem de referência para organizações e governos de todo o mundo.

 

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